O saldo de um bom final de semana!
Um bom livro: “Minúsculos Assassinatos e Alguns Copos de Leite”, de Fal Azevedo (Ed. Rocco)
Cheguei ao livro por indicação da Cora Rónai que recomendou muitíssimo a obra e o blog da autora, o Drops da Fal. Fui primeiro ao blog e fui conquistada de cara. Fal tem profundidade e humor em doses perfeitamente administradas. É carinhosa sem ser boazinha. É confessional sem ser constrangedora. É inteligente e, costurando tudo isso, escreve bem pra caramba!
Do blog para o livro foi um passo e, de novo, não me decepcionei. Não tenho lá a melhor das relações com essa estrutura fragmentada e de tendência depressivo-agressiva que caracteriza boa parte dos autores nacionais da última geração. Mas, lendo “Minúsculos Assassinatos e Alguns Copos de Leite”, lembrei que o que importa não é tanto a forma da obra literária e sim o quanto ela é realmente bem escrita. E esta é.
Todas as características que listei para o blog, são encontradas no livro e, com a mesma mistura de riso e choro, acompanhamos um recorte da vida de Alma, artista plástica, professora bissexta, que coleciona perdas e amigos com a mesma intensidade. Alma não tem uma vida bonita – e preciso dizer que isso incomoda – mas quando terminamos a leitura estamos tão conquistadas por ela, quanto ficamos depois de uma visita ao blog da Fal.
Um bom filme: “Mamma Mia”
Sem querer, encontrei a solução perfeita para equilibrar a densidade do livro da Fal Azevedo: fui assistir ao musical “Mamma Mia”, que entrou em cartaz nos cinemas, na última sexta-feira. O filme conta, através de músicas do grupo sueco Abba, a história de uma moça que vai se casar e que gostaria de ser levada ao altar por seu pai - que nem ela, nem a mãe, sabem quem é.
Bisbilhotando o diário da mãe, a garota descobre três possíveis pais e, em segredo, convida os três para irem ao casamento que acontecerá na ilha grega onde mãe e filha administram um hotel charmoso, mas que não vai lá muito bem das pernas. Os encontros e desencontros das mulheres e dos três pretendentes a pai dão a tônica da história, que foi sucesso, primeiro, como peça da Broadway.
Não seria difícil o filme me agradar porque: 1) Eu adoro musicais; 2) Tenho uma queda violenta pelo Abba, fruto de uma adolescência transcorrida nos bregas e adoráveis anos 80; 3) Sou fã de praticamente qualquer coisa que a Meryl Streep fizer.
Isto posto, devo dizer que o resultado superou as minhas expectativas. O cenário – a ilha grega – é lindíssimo e muito bem aproveitado; as músicas se encaixam direitinho às situações, sem aquelas forçações de barra constrangedoras que caracterizam alguns musicais; e o elenco – que conta com um improvável Pierce Brosnan soltando o gogó – surpreende e emociona.
Mas, sem dúvida, o filme é de Meryl Streep. É de arrepiar assistir a essa mulher, do alto dos seus 59 anos, em forma, linda, na pele da hoteleira meio hippie e meio triste que, de repente, sai cantando e dançando como nunca se viu. Chorei de me acabar!
Ah! E o filme é dica pra família inteira. Meu marido e meu filho, que me acompanharam pelo cavalheirismo carinhoso que lhes é peculiar, saíram encantados e... cantando.
Ah! Como vocês podem ver, as postagens por aqui andam mais freqüentes. Por isso, apareçam sempre que quiserem, sem esperar convite. Tem sempre um cafezinho quente esperando. E os que quiserem conferir minhas conversas sobre tradução e afins, é só dar um pulinho no meu outro blog, o “Traduzir-se”.
Escrito por Ana Rodrigues às 14h15
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