Considerações sobre vizinhos - I
Tenho uma teoria de que a quantidade de obras que as pessoas fazem em casa é inversamente proporcional à quantidade (ou qualidade?) de sexo que fazem essas mesmas pessoas.
Porque, na boa, antigamente sábado de manhã era hora, ou de continuar o que se começou a fazer na sexta à noite, ou de descansar da lida, ou de se preparar para a grande orgia também denominada “sábado à noite”, né não?
O que passa na cabeça de uma pessoa que passa vários sábados seguidos enchendo o saco dos outros martelando em uma obra que parece ter características muito semelhantes às da proverbial colcha que Penélope tecia e desmanchava?
Considerações sobre vizinhos – II
É interessante como o ser humano sem perceber adota expressões corporais tão eloqüentes como os animais...
Tenho como vizinhas (não de andar, graças a Deus!) um par de criaturas – a mãe, velhinha, acabadinha, frágil, mas que quando abre a boca você tem certeza de que a bruxa da Branca de Neve existe, e a filha, que poderia dar aulas de antipatia ao anão Zangado (só para não termos que procurar um conto de fadas novo, ok?) – que sempre que estão saindo do prédio param bem no meio do portão e ficam discutindo uma com a outra, impedindo entrada e saída de quem quer que seja e empesteando o ar ao redor com uma energia que carrega doses mortíferas de uma carência tão apodrecida que já virou veneno.
Igualzinho a minha gata que quando quer atenção se coloca no meu caminho para eu não passar. Mas eu prefiro tanto a minha gata...
Escrito por Ana Rodrigues às 13h04
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