Colocando a prosa em dia!
A vida cá pelas minhas bandas anda cheia de dar gosto!
Entre o trabalho de tradutora de espanhol que vem decolando, o trabalho de redatora que segue o seu caminho, as aventuras da escritora e as atenções aos meus rapazes, o tempo que sobra às vezes não basta para os tantos livros querendo ser lidos e para o prazer de estar com amigos queridos.
Mas no fim das contas, tudo dá certo e os livros e os amigos – que muitas vezes se confundem – conseguem uma brecha e me garantem momentos do mais puro prazer! Quanto aos livros, tenho tantos para recomendar! Muitos foram lidos no ano passado e já estão na fase de serem relidos, porque são um espanto de tão bons. Vou começar pelo que considero uma das grandes obras-primas contemporâneas:
"Reparação" (de Ian McEwan, Companhia das Letras)
A descoberta de Ian McEwan foi um daqueles momentos transformadores na minha longa vida de leitora. Minha visão da literatura foi enriquecida com novos tons, subtons, novas texturas de texto, uma densidade nova, de modo que, ao acabar de ler o livro, eu vi o mundo de um jeito diferente. Vivi a mesma experiência com Guimarães Rosa, Nélida Piñon e Machado de Assis.
Em “Reparação”, a história arrebatadora se soma ao virtuosismo da escrita de MacEwan dando à luz a uma obra-prima. O resumo breve e preciso de Marcelo Forlani, para o site Omelete, ajuda a relembrar rapidamente a história :
“Todo mundo tem em sua consciência um erro cometido do qual se arrepende muito e julga imperdoável. (...). O de Brioni Tallis aconteceu no início da adolescência e teve proporções catastróficas nas vidas de pessoas que ela amava: sua irmã Cecilia e Robbie Turner, filho de uma de suas empregadas.(...) O tempo passa, a Segunda Guerra Mundial começa e o remorso de Brioni se torna uma ferida muito maior do que qualquer bomba lançada no front.”
A leitura de “Reparação” é uma experiência dolorosa, triste demais, mas com um travo de delicadeza, quase de doçura que a tornam palpável, humana e inesquecível.
A mesma literatura preciosa encontramos em “Na Praia”, lançamento mais recente do autor, com uma história menos exuberante - as desventuras de um casal em sua noite de núpcias, no repressor início dos anos 60 -, mas com a mesma empatia com o leitor.
Recomendo fortemente ambas as obras, assim como recomendo a recente versão cinematográfica de “Reparação” (que por alguma estranha razão ganhou o título de “Desejo e Reparação”, nos cinemas) – o filme é excelente e, apesar de não conseguir traduzir as sutilezas de linguagem que são característica única da literatura, consegue passar os mesmos sentimentos pungentes do livro.
Em tempo!
Gostaria muito de convidar a todos vocês que freqüentam o Idéias e Livros a conhecer o meu site profissional – “Ana Rodrigues – Oficina de Textos” - e o meu blog voltado à tradução, o "Traduzir-se". Ficarei muito feliz em recebê-los por lá!
Ah! “Reparação” foi só o primeiro desta série de livros lidos e relidos recentemente que quero compartilhar com vocês. Logo, logo tem mais!
Escrito por Ana Rodrigues às 20h56
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