**** Idéias e Livros ****


E os novos ventos continuaram soprando...

Dessa vez, a brisa de novidades que assola a minha estante trouxe uma autora, Márcia do Valle, e seu livro de estréia: "180 graus" (Editora Marco Zero). Meu primeiro contato com Márcia foi através do blog do Dudu Oliva - sempre uma ótima pedida - a quem ela deu uma entrevista. Gostei da entrevista e da entrevistada, comentei e daí seguiram-se algumas visitas blogueiras - ela aqui e eu no dela, o "Solta no mundo".

 

O bom texto do blog me animou para a leitura do livro e não me decepcionei, trata-se de um belo trabalho. "180 Graus" exala o feminino por todos os poros. Um feminino contemporâneo, um tanto fragmentado, que flerta com Clarice Lispector sem se deixar sucumbir a tentativa de imitação e que é cheio de charme.

 

Esse charme aparece já no início do livro, na própria estrutura da história, que nos apresenta, em paralelo, a duas mulheres - uma carioca e uma francesa - alternando-se na primeira e na terceira pessoa para contar o que está acontecendo em suas vidas naquele momento. Essas duas mulheres são como os extremos de uma corda: só permanecem opostas até uma mão - masculina - chegar a  uni-las.

 

O elemento masculino, aliás, é o ponto principal ao redor do qual gira a vida de ambas as mulheres. O bom texto da autora e a agilidade da estrutura do livro conseguem driblar o que considerei uma limitação da construção das personagens e não deixam o texto se tornar entediante. No entanto, fiquei com vontade de ler uma mulher mais independente, criada pela Márcia. Uma mulher que seja o centro de seu próprio universo e para quem o romance seja mais uma das tantas coisas importantes da vida.

 

Tenho alma de brechó e, apesar de estar sempre de olho nas novidades literárias, nem sempre me animo a incluir vanguardas na minha lista. Mas, depois das últimas experiências, fico feliz por ver um novo caminho, cheio de possibilidades literárias interessantes, abrindo-se à minha frente.

 



 Escrito por Ana Rodrigues às 10h06
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Eu, Ana...
... sou uma artesã da palavra - teço textos, experimento texturas. Estou sempre em busca de novas formas de refinar o fio precioso da palavra em tramas mais sutis, profundas ou delicadas. Entre tantas possibilidades, apenas uma certeza: o trabalho e o prazer da descoberta nunca acabam, o tecido se renova a cada nova idéia e o fio da palavra se estica, interminável, inesgotável...
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