Depois de um tempo deixando as imagens falarem - e muito bem, por sinal - por mim, retomo a palavra nesse blog para contar sobre uma das revelações literárias que tive, já no início desse ano: a obra da autora neozelandesa Juliet Marillier. Seus livros são literatura de fantasia da melhor qualidade. Romances que misturam magia e realismo na medida certa e, o que é mais importante, muito bem escritos. A autora não tem medo de ousar nas tramas e tem como ponto forte uma excelente construção de personagens - sabe aqueles que, depois de um tempo, a gente toma como amigos e sabe que vai sentir saudades e reler o livro, de vez em quando, só para reencontrá-los? Pois é assim.
Falo particularmente da Trilogia Sevenwaters: "A Filha da Floresta", "O Filho das Sombras" e "A Filha da Profecia". Comecei com "A Filha da Floresta", que me encantou por contar a saga de uma família celta através de elementos de contos de fadas - dos quais sou uma estudiosa apaixonada. Infelizmente - e não consigo entender o porquê -, Juliet Marillier nunca foi editada no Brasil. Tive acesso a ela através de e-books, digitalizados em Portugal. Foi gostoso ler nessa variação do nosso português que, com seu vocabulário um tanto mais rebuscado, me transportou ainda mais rapidamente para as sombrias florestas celtas de "há muito tempo atrás".
Ler essa edição portuguesa também me permitiu conhecer o trabalho do jornalista e escritor Jorge Candeias. A crítica da qual reproduzo trechos, abaixo, foi publicada, em 2003, no site 'e-nigma' - outra grata surpresa -, uma revista eletrônica de ficção científica e literatura fantástica. Vale conferir:
Sobre "A Filha da Floresta":
"(...) Trata-se de uma história de fadas romântica, que conta a adolescência dolorosa de Sorcha, uma princesa irlandesa, filha do senhor feudal de Sevenwaters. (...) Sorcha vê-se arrastada para uma vida de privações quando o pai se casa com uma feiticeira má que lhe enfeitiça os seis irmãos, transformando-os em cisnes. O feitiço, explicam-lhe as Criaturas Encantadas (nome que nesta história é dado às divindades célticas da floresta e da natureza em geral), só se desfará se Sorcha for capaz de tecer seis camisolas com morugem, uma planta urticante, sem que da sua boca saia um som durante todo o tempo que a tarefa demorar. (...)"
O diferencial do livro e sobre a autora
"(...)Então que tem A Filha da Floresta de especial, que coloque este romance num patamar mais elevado em relação à miríade de de obras semelhantes que é produzida todos os anos? Duas coisas: uma presença importante do sexo como peça fundamental do enredo e o facto de a prosa ser de primeira água. Com efeito, boa parte dos acontecimentos de A Filha da Floresta e das peripécias por que passa Sorcha e aqueles que a rodeiam são movidos a sexo. E, com efeito, Marillier escreve muitíssimo bem, tecendo o seu romance com toda a calma mas com toda a segurança, dominando-o por completo e sabendo muito bem de onde parte, onde quer chegar e que passos há a dar para chegar até ao destino."
Para quem se interessar por conhecer a obra de Juliet Marillier, deixo, abaixo, alguns caminhos:
Site da autora: "The Official Juliet Marillier Website"
Livros (papel) em inglês: Amazon
E-books (português de Portugal): PDL - Projeto de Democratização da Leitura