Contar/Escrever histórias
Janeiro, mês de faxina em papéis e arquivos antigos. Em meio às minhas arrumações, encontrei esse fragmento de um texto do Luiz Ruffato publicado em O Globo, no ano passado. Acho que ele estava mesmo muito inspirado quando fez essa reflexão... Confiram e me digam o que acham:
"Grosso modo, poderíamos afirmar a existência de dois tipos de escritor: aquele que conta uma história e aquele que escreve uma história. No primeiro caso listaríamos autores como Jorge Amado e Erico Verissimo, romancistas com algumas obras que se destacam entre as maiores da língua portuguesa. No segundo, Guimarães Rosa e Clarice Lispector, que alcançaram lugares raros na nossa literatura. O que diferenciaria uns de outros: os contadores de histórias assentam na trama a sua força, ou seja, valorizam o quê da narrativa; os escrevedores de história privilegiam a linguagem, o como narrar.
Essa conceituação, evidentemente, não exclui que um contador de história possa eventualmente transformar-se em escrevedor de história, ou vice-versa — José Lins do Rego, com “Fogo Morto”, é um bom exemplo do primeiro caso; “Uma vida em segredo”, de Autran Dourado, um modelo do segundo. E há uns poucos que conseguem a síntese, e são os gênios, como Machado de Assis." Luiz Ruffato
Escrito por Ana Rodrigues às 10h19
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