**** Idéias e Livros ****


E o Nobel de Literatura foi para... Harold Pinter

A minha favorita para o prêmio era Margaret Atwood, mas ainda não foi esse ano. Acho estranho o prêmio ir para um dramaturgo... Pelo menos me dá a oportunidade de conhecer mais sobre um artista de quem sabia muito pouco.


"O dramaturgo britânico Harold Pinter foi surpreendentemente o vencedor do Prêmio Nobel de Literatura 2005, esta quinta-feira. O júri que definiu a premiação afirma que, em suas peças, Pinter "revela o precipício que existe debaixo da balbúrdia do cotidiano e as forças que entram nos quartos fechados da opressão".


Pinter, que não estava na lista de favoritos ao Nobel deste ano, é tido como um dos mais famosos dramaturgos britânicos e responsável por mudar o teatro convencional, depois de Beckett.


O dramaturgo trocou o teatro por poesia e política O escritor, de 74 anos, vai receber US$ 1,28 milhões. Entre as peças mais conhecidas de Pinter no Brasil estão "A volta ao lar", "Festa de aniversário", "Antigamente" e "O zelador", espetáculo o qual o ator Selton Mello montou e apresentou no país durante cinco anos. "


"(...)Harold Pinter, nascido em Hackney, na Inglaterra, também é ator, roteirista e diretor. Suas obras sempre destacam elementos existenciais em momentos de inexplicável catástrofe ou inesperada surpresa. Entre seus escritos para o cinema, destaque para os roteiros de "O mensageiro" e "A mulher do tenente francês".


O prêmio para Pinter pode ser considerado uma surpresa. Em fevereiro, ele havia anunciado a desistência do teatro para se dedicar à poesia. "Acho que parei de escrever agora, mas não parei de escrever poemas", disse Pinter na época. "Acho que escrevi 29 peças. É o bastante para mim. Acho que encontrei outras formas agora", completou, afirmando que "suas energias estão indo em direções diferentes, certamente para poesia".


Pinter também se destacou nos últimos anos pelo seu engajamento político. Foi até o Parlamento inglês mostrar sua indignação com a participação da Grã-Bretanha na Guerra do Iraque, por exemplo. O escritor chegou a dizer certa vez que estava usando mais suas energias para as situações políticas.


- Estou usando muita energia, mais especificamente, em situações políticas que, eu acho, são muito preocupantes do jeito que as coisas estão - disse ele.


Pinter, inclusive, publicou um livro de poesia antiguerra, intitulado "War", em 2003. O livro critica o conflito no Iraque e deu a Pinter o prêmio Wilfred Owen, que leva esse nome em homenagem ao poeta que morreu na Primeira Guerra Mundial.


A peça mais recente de Pinter foi "Remembrance of things past", publicada em 2000. A peça foi montada no National Theatre de Londres." (
retirado da matéria de Bianca Kleinpaul para o Globo Online)

 

Vocês conhecem a obra de Harold Pinter?




 



 Escrito por Ana Rodrigues às 13h28
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Da minha caixa de tesouros...

Já há algum tempo, coleciono frases, textos e pensamentos sobre literatura e sobre a arte de criar. Guardo esse tesouro em um caixa - daquele tipo cheio de gavetinhas secretas, sabem? - que fica em lugar de destaque no meu armário-biblioteca.  Então, sempre que preciso, recorro a esse oráculo: espalho o conteúdo da caixa e busco o fio exato que vai me ajudar a costurar meus retalhos de idéias isoladas em um harmônico patchwork.

 

Às vezes, nessa busca, aparece um texto tão rico por si só, que eu esqueço por um tempo os retalhos das minhas próprias idéias para ficar apenas refletindo sobre o fio precioso que descobri.  Foi isso o que aconteceu hoje, quando me deparei com este texto de Ana Maria Machado (com o auxílio luxuoso de Camus):

 

“Uma obra de arte é senhora de seu criador e precisa seguir seus próprios caminhos, sem obrigação de transmitir mensagens, ensinar lições ou demonstrar idéias. Assim, cada artista, ao criar sua obra, não deveria se preocupar com nada além da própria obra. Mas, ao mesmo tempo, lembrava Camus, nenhum ser humano (seja ele artista ou não), tem o direito de se omitir, de não ter uma posição definida a respeito das questões sociais e políticas de seu tempo, de não agir de acordo com essas opiniões em sua vida quotidiana, de não fazer deste mundo um lugar melhor para se viver, com mais justiça para todos, mais liberdade. (...)Dessa forma, seria impossível que a concepção que alguém tem do mundo não se revelasse na sua obra. Mas se a obra fosse verdadeira obra de arte, a ideologia estaria nela, apesar do artista, e não porque estivesse comprometida desde o início com algum conjunto de idéias que o amarrava. Em suma: para Camus, a ideologia não deveria fazer parte das intenções do ato criador. Mas não poderia deixar de fazer parte da experiência de vida do artista. E desse modo, seria como todos os outros materiais que compõe esse tesouro: iria inspirar, influenciar, percorrer as entrelinhas, funcionar como manancial subterrâneo, fornecer sentidos ocultos, e tanta coisa mais". (Trecho do texto "Ideologia e Literatura Infantil", de  Ana Maria Machado publicado no livro de ensaios "Contracorrente: Conversas Sobre Leitura e Política" - Editora Ática, 1999)

 

A reflexão ainda está em curso. Por enquanto, apenas alguns novos retalhos de idéias me ocorrem, palavras soltas: opinião, autoria na própria arte, comprometimento. Idéias que pretendo costurar com calma em um próximo texto. Hoje, queria apenas compartilhar o fio da meada com vocês...

 



 Escrito por Ana Rodrigues às 16h05
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Eu, Ana...
... sou uma artesã da palavra - teço textos, experimento texturas. Estou sempre em busca de novas formas de refinar o fio precioso da palavra em tramas mais sutis, profundas ou delicadas. Entre tantas possibilidades, apenas uma certeza: o trabalho e o prazer da descoberta nunca acabam, o tecido se renova a cada nova idéia e o fio da palavra se estica, interminável, inesgotável...
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