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Que cidade mora no escritor?
Em minha peregrinação diária pelos jornais, esbarrei em uma matéria da Folha de SP que me fez pensar. Sabem aquelas notícias que a gente lê, deixa passar, lá na frente lembra de novo, volta para reler e acaba caindo numa reflexão que vai muito do além do que a matéria abordava? Pois foi o que me aconteceu com a reportagem do caderno Ilustrada da última terça-feira sobre o curso "A Cidade na Literatura Brasileira no Século 20" que está acontecendo em São Paulo.
O curso parte da importância que a cidade de São Paulo teve na obra de alguns escritores modernistas da primeira metade do século XX e estende o debate até os dias de hoje. Achei interessante o tema e já me preparava para começar a divagar sobre o efeito que a geografia das grandes cidades tem no trabalho dos escritores atuais, quando o tal bicho reflexivo que me mordeu avisou que o caminho era outro. A matéria foi apenas a ponta do meu iceberg. Ele queria ir mais fundo. Por isso, aviso que daqui por diante o tal curso já não vai ter muito a ver com o rumo que essa prosa vai tomar.
O que o meu bicho reflexivo - voraz e insaciável - quer saber é: que cidade cada escritor traz - ou não - dentro de si como cenário. Não acho que seja obrigatoriamente a cidade natal ou a cidade da infância. Lembrando de um Hemingway emotivo e até doce em "Paris é uma festa", fiquei muito inclinada a achar que é a cidade onde mora ou morou, mesmo que por pouco tempo, a identidade emocional do escritor. Essa identidade emocional pode ser única ou múltipla; pode durar uma vida inteira ou apenas uma noite. Mas estou convencida que é a ela que o escritor recorre quando cria o lugar - ou os lugares - por onde seus personagens vão transitar.
Daí, vem a pergunta inevitável: qual cidade é o meu cenário, como escritora? O Rio de Janeiro. Não esse real, nosso de todo dia. Um Rio de Janeiro só meu - uma colcha de retalhos costurada pelas tantas vidas que venho vivendo nessa cidade. O meu Rio de Janeiro tem a cara de tempos que não vivi, de histórias contadas por adultos que viveram um Rio de quintais, de casas meio maltratadas com cheiro de talco da bisavó, de bondes, das luzes amarelas dos lampiões da Praça Paris. Minha cidade tem a cara da Paris que eu sentia já conhecer mesmo antes de pisar lá. Tem o frescor de serra das casas alugadas em Miguel Pereira, dos secretos finais de semana de amor em Teresópolis. Meu Rio de Janeiro tem a cara do Pão de Açúcar que vejo da minha janela e que me inspira a criar histórias para o meu filho...

E então, será que os seus bichinhos reflexivos querem fazer companhia ao meu? Para eles começarem o assunto, deixo a pergunta: escritores ou não, qual o cenário guardado na sua alma?
P.S.: Os assinantes da Folha ou do UOL podem clicar aqui para ler a matéria completa sobre o curso "A Cidade na Literatura Brasileira no Século 20".
Escrito por Ana Rodrigues às 13h44
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Uma boa notícia literária para o Rio de Janeiro
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Para nós cariocas, que temos visto a vida cultural da cidade encolher a olhos vistos, uma notícia como essa é muito bem-vinda!
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"Os cariocas e leitores do Rio têm mais um motivo para festejar. No próximo dia 22 a Academia Brasileira de Letras (ABL) inaugura sua moderna Biblioteca Rodolfo Garcia, projeto iniciado no final dos anos 90 e que agora estará disponível para o público. Com 1.300 metros quadrados, a biblioteca é especializada em filosofia, filologia, lingüística, literatura, história e ciências humanas e tem em seu acervo obras raras dos séculos XIX e XX e materiais de coleções particulares como as de Ary de Andrade, Alzira do Amaral Peixoto, Franklin de Oliveira e Josué Montello. No segundo andar do Palácio Austregésilo de Athayde, onde fica a nova biblioteca, o público terá livre acesso a obras de referência, periódicos, publicações da Academia e clássicos da literatura nacional e portuguesa, além de poder fazer pesquisas na internet. A Rodolfo Garcia, que tem ainda um espaço para exposições, ficará aberta de segunda a sexta-feira, das 10h às 17h." (Caderno Prosa e Verso de O Globo - 10/9/2005 - por Manya Millen e Rachel Berthol)

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Escrito por Ana Rodrigues às 13h53
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