Que pena, não gostei da Bienal...
Estive na Bienal do Livro no último sábado e, contrariando todo a minha boa vontade de leitora apaixonada, me decepcionei. Gostei tanto da feira de 2003 que sai de casa com a certeza de que essa seria ainda melhor. Contava com uma boa organização dos estandes, com algumas promoções interessantes e com a possibilidade de me divertir no meio daquilo que eu mais gosto na vida: os livros. Não chegava a ser uma expectativa tão grande assim, certo?
Mesmo assim me frustrei. Os estandes cuidaram da fachada e dos eventos e descuidaram da organização e do atendimento aos visitantes - aqui entre nós, é meio constrangedor você precisar perguntar o preço de um livro a um atendente que, por sua vez, vai perder minutos preciosos procurando o dito cujo em um catalogozinho de papel! E olha que estou falando de algumas das mega-editoras. E que não venha se dizer que não dava para colocar maquininha de leitura ótica porque em outra editora elas estavam lá, funcionando perfeitamente.
Promoções? Qual o quê! Nem vale a pena me estender: estavam fracas, cheias de livros fracos.
Até a organização dos eventos mais comuns como horas de autógrafos, ficou fashion demais. Lembro de como foi gostoso, em 2003, "esbarrar" com a Ana Maria Machado, sentada no espaço da Libre aguardando a hora de autografar um livro. Pois neste ano, os escritores tinham salas especiais - algumas semelhantes a aquários - onde aguardavam a hora dos autógrafos vendo e sendo vistos por trás de vidros de proteção. Até agora, não consegui entender direito porque um escritor pode querer ficar apartado do público em um evento dedicado a... livros!
Acho o máximo uma Bienal que monta ótimos debates, convida escritores interessantes, tem restaurantes legais. Mas não se pode perder o foco de que, em primeira instância, trata-se de uma feira de livros. Um evento simples, de prestação de serviço ao consumidor. Só quando esta primeira instância funciona sem falhas é que se pode dar ao luxo de partir para esferas mais sofisticadas.
Faltou esse realismo por parte da organização e o resultado ficou meio surreal. Afinal, sendo o Riocentro onde é (e nem vou me estender na questão da insegurança de se atravessar essa cidade para chegar até lá, isso rende um outro post), com o preço do ingresso a 10,00 e o estacionamento a 7,00 me pergunto: Quem pode ir a todos os debates que quer assistir? Quem tem dinheiro para comer em todos os restaurantes legais? Do público leitor comum, poucos. E esse público, do qual faço parte com orgulho, com certeza merecia um serviço melhor.
Peço licença para fechar meu texto com a declaração que Lygia Bojunga - sempre sensível e corajosa - deu sábado, em um dos debates de que participou.
- Eu sou muito franca e tenho uma relação passional com o livro. Acho esse cenário, Riocentro, inadequado. É longe, é caro, é um recanto privilegiado que não aproxima o livro do público, só elitiza. (Fonte: O Globo - 14/05/2005)
Fecho questão com ela.

Escrito por Ana Rodrigues às 20h57
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