**** Idéias e Livros ****


Mulher e Trabalho: ainda não achamos nosso ritmo!

A mulher e o universo feminino sempre me instigam a pensar e a escrever. Trabalho em casa há oito anos, conheço de perto as dores e delícias de viver uma situação alternativa e... continuo achando que vale a pena criarmos um caminho próprio, com a marca do feminino. Um dos meus "estudos" sobre a relação da mulher com o trabalho, gerou o texto que publico abaixo: 

Recente pesquisa americana mostra que a mulher está "voltando para casa". Segundo essa pesquisa, o prazer de fazer parte de um mercado de trabalho antes restrito aos homens está sendo ofuscado pelos salários desiguais e pela tripla jornada - que inclui horas-extras não-remuneradas, ainda a serviço de casa, marido e filhos. Outra pesquisa, também americana, alerta para o fato de as mulheres estarem adiando cada vez mais a maternidade e, em muitos casos, até mesmo desistindo dela, em prol de desenvolver uma carreira.

É um pouco assustador imaginar que, ou estamos "dentro" do mercado, do jeito que o homem o criou, ou estamos fora - do emprego ou do direito a uma vida particular. Em primeiro lugar, acredito que, independente de pesquisas, só "volta para casa" e pára de trabalhar quem pode, porque tem renda e sustento garantidos. Desde sempre, quando a mulher precisa ser arrimo de família, ela o é, seja costurando, limpando, escrevendo, cozinhando, lavando ou passando - dentro ou fora de casa.

A saída da mulher para o mercado de trabalho deveria ter sido uma evolução, a união de trabalho com um prazer e uma liberdade que lhe eram negados até então. Só que mulher não é igual a homem. Homem não põe filho no mundo, não menstrua, não tem TPM e tantas outras idiossincrasias tipicamente femininas. Portanto, quando eles criaram a dinâmica de "trabalhar fora", está claro que se basearam em uma matriz masculina.

O que a mulher talvez não tenha percebido é que o que ela fazia antes - ou suas mães, ou suas avós - também dava prazer; e mais, era conhecido, era compartilhado, tinha ritmo próprio. Talvez esteja aí a chave do problema.

No mundo dos homens, a mulher está perdendo o passo, tentando dançar em um ritmo que não é o seu. E cabe a esta nova geração de mulheres, que tem conhecimento e formação, impor seu próprio ritmo, se orgulhar de ser mulher e de trazer na bagagem: filhos, casa, receitas culinárias, plantas, moda, cuidados com o corpo e com a pele, entre tantas coisas. Mulher é isso, é o pacote, e quem quiser a nossa preciosa contribuição tem que comprar - e pagar bem - o pacote.

Mas para que isso aconteça, precisamos acreditar que podemos, temos que perder o medo de sermos excluídas do mundo dos homens, de não sermos boas o bastante. O trabalho é bom mas não cabe na sua disponibilidade de horário? Proponha um horário alternativo. Os filhos são pequenos e você quer dar atenção? Proponha trabalhar em casa - ressalte que o importante é a qualidade de sua produção e não onde ou quando você produz. O dono da empresa não concorda? Procure outras mulheres talentosas em situação semelhante e monte uma cooperativa. Nenhuma das opções acima? Sem problemas, crie a sua própria solução. Nós mulheres também temos o direito de criar novos sistemas de produção. E, com certeza, muitos homens vão adorar nos copiar.

Gostaria muito de trocar idéias sobre este assunto! Por isso, deixe sua opinião e, se puder, indique este endereço a amigas que queiram debater o tema. Obrigada pela visita e até a próxima!



 Escrito por Ana Rodrigues às 17h16
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Eu, Ana...
... sou uma artesã da palavra - teço textos, experimento texturas. Estou sempre em busca de novas formas de refinar o fio precioso da palavra em tramas mais sutis, profundas ou delicadas. Entre tantas possibilidades, apenas uma certeza: o trabalho e o prazer da descoberta nunca acabam, o tecido se renova a cada nova idéia e o fio da palavra se estica, interminável, inesgotável...
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