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Os ingleses e as ruivas
Li dois livros muito interessantes recentemente: “Olhos de Menina”, de Susan Fletcher (Ed. Bertrand) e “A guardiã do Farol”, de Jeanette Winterson (Ed. Record). Li os dois em seguida um do outro, por mero acaso. Um eu comprei em um passeio pela Saraiva porque gostei da história, e o outro o meu marido me deu de presente porque achou que era o tipo de história de que eu gostava (rsrs). Então, ao começar a ler “A guardiã do farol”, me dei conta de que, por acaso, os dois tinham muita coisa em comum. Em primeiro lugar, ambas as autoras são inglesas e, em segundo, ambas as protagonistas são ruivas. E esse último fato não é um mero detalhe. Para as duas protagonistas os cabelos vermelhos são uma marca da diferença, de uma estranheza quase mágica que ambas carregam por motivos diferentes. Mas as semelhanças não param por aí. Vamos às histórias.
Em “Olhos de Menina”, a personagem principal é Evangeline. Adulta e grávida do primeiro filho, ela mesma nos conta a história do seu primeiro verão no País de Gales, para onde foi viver com os avós depois da morte repentina da mãe. O pai, que lhe legou os cabelos ruivos, ela nunca chegou a conhecer. Naquele verão dos seus oito anos de idade, ela se vê diante da dor da perda, se choca com a desconfiança das pessoas a seu respeito apenas por causa de sua semelhança com o pai que não ficou com uma boa imagem na cidade, e acaba envolvida na estranha história do rapto de Rosie, uma menina da sua idade. A narrativa é fragmentada em um vai e vem no tempo, mas a história é muito bem amarrada e o clima é atraente, fresco e levemente ameaçador. Exatamente como são a aldeia e a fazenda onde Evie mora. A autora, Susan Fletcher, é jovem e esse foi o seu primeiro romance, já premiado e aclamado. Entendi perfeitamente o porquê.
Em “A guardiã do farol”, mais uma vez quem nos conta a história é a protagonista, Silver. Também ela nunca conheceu o pai e vivia desterrada com a mãe em uma casa pendurada em uma parte íngreme da falésia. A mãe também morre – despenca da falésia – e Silver acaba indo morar no farol próximo à cidade, cujo guardião é um cego, contador de histórias. E são essas histórias, em particular a de Babel Dark, um religioso de vida dupla que viveu na cidadezinha no século XIX, que vão determinar a sobrevivência da menina, sempre flertando com a loucura e tentando driblar a solidão. Não é o primeiro livro que eu leio de Jeanette Winterson e, como sempre, é literatura de primeira qualidade.
E, então, voltamos à combinação de ingleses, ruivas, estranheza e magia. Ao comparar os dois livros, me pareceu que a imagem da feiticeira celta de cabelos vermelhos, estranha, solitária e sedutora, ainda é muito forte. O que acham? De qualquer modo, as ruivas renderam belíssimas histórias, que recomendo vivamente.
Escrito por Ana Rodrigues às 11h27
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Um mestre fala...
"Os inimigos dos livros são principalmente os homens, que os queimam, os censuram, os prendem em bibliotecas inacessíveis e condenam seus autores à morte. A internet ensina os jovens a ler, e serve para vender incontáveis livros." Umberto Eco em entrevista recente ao "La Stampa", de Turim.
Eco fala e eu assino embaixo. Como vocês sabem, sou fã de e-books há anos e canso meu bom e velho Palm Z22 com a enorme quantidade que guardo nele.
Escrito por Ana Rodrigues às 17h26
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De volta: o tempo fresco, boas dicas de livros e um cafezinho
Nossa! Chega de tanto suco de abacaxi com hortelã, hein? Acho que está na hora de voltarmos ao bom e velho cafezinho. Afinal, o tempo, abençoado seja, esfriou.
O trabalho continua puxado, mas eu estava com saudades demais desse meu cantinho e das nossas prosas por aqui. Daí que abri um espacinho daqui, roubei um tempinho de lá e cá estou eu de volta. Até porque, precisava dar a dica de um livro maravilhoso que acabei de ler e que ainda está ecoando em mim: “A sociedade literária e a torta de casca de batata”, de Mary Ann Shaffer e Annie Barrows, editado pela Rocco. Só esse título maluco já atiça a curiosidade, não é não? E podem ter certeza de que a história não deixa nada a desejar! É um romance sobre livros, escrito por quem ama os livros, para quem os ama também. A narrativa é epistolar, o que eu adoro, mas o engraçado é que, de algum jeito, as autoras conseguem organizar a troca de cartas de tal maneira que, em um determinado momento da história, você está tão envolvido com os personagens que até esquece que está lendo cartas. Soube do livro por um daqueles acasos inusitados e maravilhosos: meu marido viu uma resenha na revista distribuída no metrô, achou a minha cara e daí fomos correr atrás. Demoramos um tempo porque ele ainda não havia chegado às livrarias. Para minha grata surpresa, a coluna do José Castello, do último Prosa e Verso de O Globo, é toda dedicada a ele. E merece mesmo! Como um agradecimento à ótima dica, copio abaixo a resenha da revista do metrô do Rio. “Contado a partir de uma troca de correspondências após a Segunda Guerra Mundial, o romance tem como personagem central Juliet Ashton, uma escritora que encontra na carta de um deconhecido das ilhas de Guernsey, Daysey Adams, o tema para o seu próximo livro. Ao tentar identificar, não só o gosto literário de cada um, mas o impacto que sofreram com a guerra, Juliet começa a se interessar pelo mundo em que Adams vive – especialmente pela narração de um clube de leituras criado, de improviso, para proteger os seus membros dos alemães – a Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata. Instigada, ela decide visitar a localidade, numa viagem que muda sua vida para sempre. Escrito pela americana Mary Ann Shaffer, o romance foi finalizado por sua sobrinha, a autora Annie Barrows” (Fonte: Estação Notícia – Metrô RJ)
Ah! Abri uma conta no Twitter. Além de ser o assunto do momento e ter me deixado curiosa, achei uma ótima oportunidade, nesses meus tempos de trabalho apertado, de estar sempre dando dicas rápidas de leitura. Por isso, literalmente, sigam-me! Meu username é “analuciar”! E vocês, já usam o Twitter? O que acham? Por fim, já que começamos falando de café, vamos terminar falando dele. Vai abrir uma Starbucks no Botafogo Praia Shopping, aqui bem pertinho de mim! Estou nas nuvens!
Escrito por Ana Rodrigues às 13h31
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Fique à vontade, eu volto já!

Aos que aparecerem para uma visita e um refresco - janeiro está quente demais para o cafezinho de sempre, né não? - desculpem o sumiço da dona da casa. Mas é que graças a Deus, aquele livro pra traduzir puxou outro, com prazo mais curto. Então, tempo para esta artesã da palavra aqui, no momento é material escasso.
Mas não se incomode que eu volto logo, enquanto isso acomode-se, prove do refresco de abacaxi com laranja e mel, pegue o livro aí ao lado e dê uma folheada. Logo, logo eu chego para conversarmos sobre ele.
Escrito por Ana Rodrigues às 09h25
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Então, é Natal!
A árvore está montada faz tempo, a casa toda enfeitada, os presentes foram comprados com antecedência, os ingredientes para a ceia já estão na geladeira. No entanto, em meio às tantas outras solicitações dessa época do ano, acho que só hoje me dei conta de que daqui a pouco é Natal. Que bom!
Como eu gosto dessa época! Parece que a cada ano fica melhor, principalmente desde que tivemos nosso menino. Hoje, aos 12 anos, Papai Noel é apenas uma lembrança querida, mas ele é tão louco pelo Natal quanto eu e o Bruno. Passamos o mês ouvindo músicas de Natal, nos emocionamos com os anúncios - os bons pelo menos - e a primeira fornada de cookies saiu na sexta-feira.
Por isso, aproveito hoje, antes que os preparativos para a grande data se imponham, para agradecer a companhia ao longo de 2008 e para desejar a todos que passam por aqui um Feliz Natal e um 2009 repleto de Paz, Tranqüilidade, Saúde e muito Amor.

Só devo retornar no início do próximo ano, porque até lá, tenho um Natal para arrumar, um livro para terminar de traduzir, a Starbucks para conhecer, uma festa para organizar e outra para comparecer.
Mas pretendo estar de volta já na primeira semana do ano para contar as novidades e, principalmente, para falar dos tantos livros que me esperam sob a Árvore de Natal.
Um beijo grande a todos!
Escrito por Ana Rodrigues às 20h22
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Abrindo os trabalhos de fim de ano!
Puxa! E já se passou quase um mês desde o último post! Foi um mês tão cheio que eu nem percebi. E bem cheio, graças a Deus! Aniversário do filhote para organizar e curtir, montes de testes de tradução e, finalmente, um ótimo trabalho para uma editora. Some-se a isso os preparativos de Natal e - pronto! - taí a explicação de o mês ter passado sem que eu notasse.
E como a ralação tá só começando, a passagem por aqui é rapidinha. Mas queria deixar algumas indicações de livros que ando passando para os amigos que me pedem dicas de presente de Natal. De alguns já falei por aqui, mas repito pra reforçar. Lá vai:
. A Cabana - William P. Young (Ed. Sextante): O livro é best-seller e passa muito, mas muito perto da auto-ajuda; mas a história é maluca, ousada e o autor consegue levar com competência a maluquice que inventa e é isso que faz o livro valer a pena.
. Comer, rezar e amar - Elizabeth Gilbert (Ed. Objetiva): Já li, reli, emprestei e sempre me delicio com as aventuras da louca e querida autora que assume a personagem principal e nos leva junto em suas andanças pela Itália, pela Índia e por Bali, numa busca de si mesma divertida e emocionante.
. Reparação - Ian McEwan (Ed. Cia das Letras): Esse é uma recomendação para sempre. Literatura de alto nível, de primeiríssima qualidade. Ler o texto primoroso e delicado de McEwan é um luxo que todos deveriam se permitir.
. Brisingr - Christopher Paolini (Ed. Rocco): Este é para adolescentes de todas as idades. É o terceiro livro da série que começou com Eragon e está recém-saído do forno. Ainda não tive tempo de ler, mas pelas noites em claro que o adolescente aqui de casa passa grudado nele, parece que vale tanto a pena quanto os dois primeiros. Fica, portanto, a dica da série, para quem ainda não conhece.
Mudando de assunto...
Ah! E como, infelizmente, nem tudo nessa vida são boas leituras, para quem quiser dar uma força ao pessoal que está passando um perrengue por causa das enchentes aqui no estado do Rio e em Santa Catarina e não sabe onde ir, deixo a dica de procurarem o Corpo de Bombeiros mais próximo. Eles estão recebendo e encaminhando. O daqui da Praça São Salvador já está com uma literal montanha de doações. Graças a Deus!
Quem tiver outras dicas para esse final de ano, fique à vontade para compartilhar!
Escrito por Ana Rodrigues às 18h56
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Bons ventos!

“To be alive in such an age!...
When miracles are everywhere,
And every inch of common air
Throbs a tremendous prophecy
Of greater marvels yet to be!” *
(Trecho de “Today “– poema de Angela Morgan, muitas vezes atribuído ao também poeta americano Walt Whitman)
A eleição de Barak Obama como presidente do Estados Unidos é um desses acontecimentos da nossa época que fazem com que, apesar de tudo, eu e meu marido possamos dizer ao nosso menino que o mundo está ficando cada vez melhor. Que bom!
*”Estar vivo nessa época!.../ Quando os milagres estão por toda parte/ e quando em cada partícula de ar/ pulsa uma extraordinária profecia/ de enormes maravilhas ainda por vir.” (tradução livre)
Escrito por Ana Rodrigues às 14h12
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Momento coruja!
Meu marido e meu filhote estão juntos em uma reportagem muito legal sobre blogs como ferramentas de expressão para a galera mais jovem, no portal G1. A matéria é da repórter Alicia Uchôa, que entrevistou o Bruno, o maridão, para que ele desse a sua visão como pai, enquanto o Breno falou sobre a sua experiência com seus blogs pessoais e também sobre como foi escrever no Bloguinho, do Globo.com. Além deles, outras crianças foram entrevistadas e o resultado ficou muito legal! E a esposa e mãe coruja aqui babando!
Para quem quiser conferir, a matéria está aqui.

(foto: Ana Rodrigues)
Escrito por Ana Rodrigues às 19h14
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Jorge, Amado, Zélia Gattai e... Paulo Coelho.
Dia desses, em uma excursão doméstica pelas Lojas Americanas do meu bairro, tive a sorte de esbarrar com o livro "Jorge Amado - Um baiano romântico e sensual", da editora Record. O livro, lançado em 2002, é uma homenagem feita ao escritor, poucos meses depois de sua morte, através de relatos da esposa, Zélia Gattai e dos dois filhos, Paloma e João Jorge.
Para mim o livro foi um presente, principalmente pela oportunidade de reencontrar o texto delicioso de Zélia, de quem sou fã devota há muitos e muitos anos. Zélia sempre foi um exemplo pra mim de uma vida bonita. Ainda bem novinha, aprendi com seus livros que a dedicação aos amores da vida – nesse caso, leia-se marido, filhos e a palavra – pode ser uma aventura maravilhosa. Tive a alegria de conversar com ela por telefone uns anos atrás e chorei a sua morte como choraria a de uma grande amiga.
Mas, voltando ao livro sobre Jorge Amado, além dos textos de Zélia, divertidos, carinhosos e apaixonados falando do companheiro de mais de 50 anos, me surpreendi com os bons textos de João Jorge e de Paloma. O livro é mesmo uma homenagem carinhosa, divertida e mais do que justa ao escritor e ao homem que foi Jorge Amado.
Paulo Coelho
E onde entra Paulo Coelho nessa história? Pois bem, estava eu na metade da leitura do “(...)baiano romântico e sensual”, quando estourou a polêmica entrevista de Paulo Coelho em Frankfurt dizendo, entre outras coisas, que não escrevia sobre o Brasil em seus livros porque “o Jorge Amado já cobriu isso muito bem”.
Essa e outras declarações de efeito de Coelho bastaram para que os seus (muitos) críticos se revoltassem mais uma vez contra o escritor. Bem nesse momento, como que por mágica, esbarro em um trecho do relato da Paloma Amado, mais precisamente na página 200, em que ela conta da época em que Paulo Coelho estourou em vendas na França e, sendo Jorge Amado um escritor brasileiro também muito conhecido naquele país, logo começaram os boatos de que Coelho teria dito ser ele, então, o maior escritor brasileiro na França, tendo acabado o reinado de Jorge Amado. Procurado para dar sua opinião sobre tal declaração, Jorge disse:
"Em primeiro lugar, Paulo Coelho não falou nada disso, não adianta tentarem me intrigar com ele que não conseguirão. É um homem de bem, bom caráter, um escritor com uma vendagem estupenda, o que dá inveja em muita gente que não consegue nem escrever um livro, que dirá vender milhões como ele vende." A seguir, Paloma Amado continua contando que Jorge se ofereceu, inclusive, para representar Paulo Coelho na entrega de um prêmio que este recebeu na França e termina: "Assim foi feito, numa festa linda, e papai se sentiu muito honrado em ver o Brasil sendo homenageado através de um escritor de tanto sucesso como Paulo Coelho".
Nunca tive nada contra o Paulo Coelho. Não sou especialmente fã dos seus livros, mas já li alguns em que achei as histórias interessantes, gostosas de acompanhar. Minha única ressalva, e séria, é ao fato de que, nas edições que eu li, os erros de concordância em português eram muitos – espero sinceramente que as novas edições tenham passado por uma faxina na revisão e que o verbo haver tenha resgatado seu sagrado direito de não variar quando no sentido de “existir”.
E como, de um modo geral, não gosto de patrulhamentos, de perseguições, de que fiquem buscando um motivo em tudo o que a pessoa fala para perseguir, duvidar, achincalhar, fiquei pensando se não poderíamos aprender um pouco e termos com Paulo Coelho, com seus livros e com suas opiniões a mesma generosidade que teve Jorge Amado...
Ah! Aproveitei muitíssimo a feira de artesanato daqui da Praça São Salvador! O sol lembrou que eu sou leonina, regida por ele, e ficou no céu justo a tempo de eu visitar as barracas todas e comprar tudo o que eu queria. Tantas coisas lindas! Pena que depois a chuva chegou e diminuiu muito a animação... Mas, pelo jeito, eles voltam no final de novembro! Tomara!
Escrito por Ana Rodrigues às 10h58
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Artesanato e palavras: duas paixões que volta e meia viram uma
Artesanato
O artesanato – não só das palavras – é uma das minhas grandes paixões. Apareceu uma boa feirinha, lá estou eu, pronta para visitar, conhecer e, porque ninguém é de ferro, comprar. Nesse final de semana estou como pinto no lixo: nos dias 18 e 19 acontece o circuito “Arte em Laranjeiras e Cosme Velho”, que fez grande sucesso em setembro do ano passado. O circuito tem um sem-número de feiras, exposições, eventos e workshops em ateliês, praças e restaurantes.
Para mim, o ponto alto é a feira de artesanato de primeiríssima qualidade na Praça São Salvador, quase o quintal da minha casa! Do chocolate caseiro, às bijuterias, passando por lidos em cerâmica e patchwork, além de eventos de música e arte popular. Demais! Na hora do almoço, para recuperar as energias, um almoço no Luigi’s – onde também há exposições de artistas do circuito - ou em algum dos outros restaurantes que circundam a praça. E no domingo, ainda tem o grupo de chorinho já famoso na São Salvador.
Quem puder conferir encontra mais informações no site Bairro das Laranjeiras e no caderno especial no site de O Globo.
Palavras
Se nesse final de semana tem artesanato, o anterior foi dedicado a pensar os rumos das palavras que escrevo. No sábado dia 11, participei do workshop “O Escritor e o Mercado Editorial”, com a escritora Carla Mülhaus, na Estação das Letras. Foi muito, muito legal. O curso, uma idéia inovadora da Carla, abordou as várias formas como um profissional de texto pode exercer seu ofício no mercado editorial, além da clássica publicação de suas próprias obras.
Do copidesque à preparação de textos, da produção editorial ao ghost writing (hoje não mais tão ghost), foram várias as idéias que ela plantou na nossa cabeça para ampliarmos profissionalmente o amor pela palavra, pela escrita. Entre trechos de filmes, muitos textos com informações preciosas, exercícios e boa conversa, o tempo passou que não sentimos e, a hora de ir embora deixou um gostinho de quero mais!
Tiro meu chapéu para a Carla e recomendo aos interessados que chequem seu blog e fiquem de olho nos próximos cursos que ela vier a dar. Assim como volto a recomendar a Estação das Letras, um lugar querido pra mim há muito tempo, mas que agora está em um momento especial: acaba de passar por uma ampliação, acrescentando uma livraria de primeira ao seu espaço, e está oferecendo ótimos cursos.
Escrito por Ana Rodrigues às 21h30
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Pelo Dia do Tradutor, com as bênçãos de São Jerônimo!
Parabéns a nós, tradutores, pelo dia de hoje! Que São Jerônimo, santo padroeiro da profissão, nos dê a cada dia humildade, curiosidade e determinação para seguirmos com fé nesse ofício.
"A tradução é uma obra criativa. É um ato desmedido. Traduzir é uma exorbitância: quem sou eu para traduzir Dostoiévski?"
Boris Schnaiderman —Tradutor ucraniano naturalizado brasileiro
Feliz Dia Internacional do Tradutor!
Escrito por Ana Rodrigues às 14h27
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Prosa rápida
Semana cheia! Filhote em provas no colégio; um teste de trabalho bem legal que pintou, mas que gerou um tanto de tensão e demandou um bom tempo extra; uma tradução pra entregar; revisões do curso de Revisão e Copidesque para colocar em dia; dentista (ugh!) pra visitar...
Mas, como ninguém é de ferro, dois livros na mão ajudaram a amaciar a agenda apertada e, no final, tudo deu certo! O primeiro, leitura profissional, é “A construção do livro”, de Emanuel Araújo, em edição revisada e ampliada, recém-saída pela editora Lexikon, que aborda em detalhes a teoria e a prática das diversas etapas do processo de produção editorial. É um livro bem organizado, bem escrito, muito informativo, enfim, uma “bíblia” daquelas que todos que trabalham com edição ou se interessam pelo assunto não podem deixar de ter.
O outro, para relaxar um pouco, é “Uma questão de fé” – “Keeping Faith”, no original. O romance, da americana Jodi Picoult (editora Planeta), conta a história de uma menina de sete anos, chamada Faith, que depois de pegar o pai em flagrante adultério na própria casa e de encarar a conseqüente e dolorosa separação dos pais, começa a ver e conversar com Deus – um Deus que, segundo ela, é mulher...
Às conversas seguem-se milagres e, mais adiante, Faith aparece com estigmas nas mãos. A história ganha mais nuances quando padres e rabinos se envolvem na questão e multidões começam a acampar na porta da menina milagrosa. E tudo culmina em uma disputa de guarda, já que a mãe é muito bem intencionada, mas tem lá seus momentos de desequilíbrio e uma insegurança crônica; e o pai, ausente por um bom tempo, resolve arrumar a vida levando Faith para morar com ele e sua nova esposa grávida. Ainda não terminei de ler, mas já posso recomendar. O livro tem suspense, os personagens não são óbvios e são muito carimásticos e o leitor fica preso na história do início ao fim.
Ufa! O final de semana chegou – com chuva, muita chuva pelo jeito, mas chegou! Aproveitem!
Escrito por Ana Rodrigues às 20h45
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Blogs de Escritores
Um dos meus grandes prazeres na internet é navegar em blogs de escritores. Muitos têm sites – e alguns são até bem legais -, mas eu prefiro os blogs. Eles são mais vivos e a gente consegue conhecer melhor o escritor que está por trás dos livros que lemos. Como descobri, essa semana, dois novos blogs de escritores de peso, resolvi dividir com vocês.
O primeiro é o blog do José Saramago, que foi bastante divulgado em sites e jornais. Além da curiosidade natural que o escritor português despertaria apenas por ser quem é, a visita vale pelos textos longos, em que o Saramago exercita sua verve e sua língua afiada e fala de temas como os governos Berlusconi e Bush, entre outros assuntos.
A segunda descoberta da semana foi uma grata surpresa! É o blog do escritor e poeta Fabrício Carpinejar. Se já não bastassem as crônicas deliciosas, o blog tem um “Consultório Poético”, em que o autor conta e comenta casos, de um ponto de vista bem pessoal, sem medo de se expor. Apesar de ter ouvido falar muito de Fabricio Carpinejar e de ter lido algumas coisas suas na rede, ainda não li nem um livro seu. Mas pretendo fazê-lo logo. Ele está com livro novo na praça – “Canalha”, pela Bertrand Brasil – e acho que, de repente, vou começar por esse...
Por fim, indico o blog da Barbara Delinsky, uma romancista americana, que tem o feliz hábito de dividir com os leitores o passo a passo da criação de seus livros. Intercalando alguns posts sobre férias com os netos e outros tantos sobre problemas tipicamente americanos, na maior parte das vezes ela fala, sem didatismos e com muita franqueza, de temas como: desenvolvimento de personagens, solução de problemas com copisdesques, as detestadas viagens de divulgação, a questão da escolha de títulos, e por aí vai. Para os que gostam de acompanhar processos de criação – eu adoro! – é bem legal!
Por enquanto deixo essas dicas, mas volta e meia registro aqui um ou outro blog que estiver chamando mais a minha atenção, ok?
E vocês, acompanham blogs de escritores? Adorarei se quiserem compartilhar alguns por aqui!
Um bom final de semana para todos!
Escrito por Ana Rodrigues às 12h00
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O saldo de um bom final de semana!
Um bom livro: “Minúsculos Assassinatos e Alguns Copos de Leite”, de Fal Azevedo (Ed. Rocco)
Cheguei ao livro por indicação da Cora Rónai que recomendou muitíssimo a obra e o blog da autora, o Drops da Fal. Fui primeiro ao blog e fui conquistada de cara. Fal tem profundidade e humor em doses perfeitamente administradas. É carinhosa sem ser boazinha. É confessional sem ser constrangedora. É inteligente e, costurando tudo isso, escreve bem pra caramba!
Do blog para o livro foi um passo e, de novo, não me decepcionei. Não tenho lá a melhor das relações com essa estrutura fragmentada e de tendência depressivo-agressiva que caracteriza boa parte dos autores nacionais da última geração. Mas, lendo “Minúsculos Assassinatos e Alguns Copos de Leite”, lembrei que o que importa não é tanto a forma da obra literária e sim o quanto ela é realmente bem escrita. E esta é.
Todas as características que listei para o blog, são encontradas no livro e, com a mesma mistura de riso e choro, acompanhamos um recorte da vida de Alma, artista plástica, professora bissexta, que coleciona perdas e amigos com a mesma intensidade. Alma não tem uma vida bonita – e preciso dizer que isso incomoda – mas quando terminamos a leitura estamos tão conquistadas por ela, quanto ficamos depois de uma visita ao blog da Fal.
Um bom filme: “Mamma Mia”
Sem querer, encontrei a solução perfeita para equilibrar a densidade do livro da Fal Azevedo: fui assistir ao musical “Mamma Mia”, que entrou em cartaz nos cinemas, na última sexta-feira. O filme conta, através de músicas do grupo sueco Abba, a história de uma moça que vai se casar e que gostaria de ser levada ao altar por seu pai - que nem ela, nem a mãe, sabem quem é.
Bisbilhotando o diário da mãe, a garota descobre três possíveis pais e, em segredo, convida os três para irem ao casamento que acontecerá na ilha grega onde mãe e filha administram um hotel charmoso, mas que não vai lá muito bem das pernas. Os encontros e desencontros das mulheres e dos três pretendentes a pai dão a tônica da história, que foi sucesso, primeiro, como peça da Broadway.
Não seria difícil o filme me agradar porque: 1) Eu adoro musicais; 2) Tenho uma queda violenta pelo Abba, fruto de uma adolescência transcorrida nos bregas e adoráveis anos 80; 3) Sou fã de praticamente qualquer coisa que a Meryl Streep fizer.
Isto posto, devo dizer que o resultado superou as minhas expectativas. O cenário – a ilha grega – é lindíssimo e muito bem aproveitado; as músicas se encaixam direitinho às situações, sem aquelas forçações de barra constrangedoras que caracterizam alguns musicais; e o elenco – que conta com um improvável Pierce Brosnan soltando o gogó – surpreende e emociona.
Mas, sem dúvida, o filme é de Meryl Streep. É de arrepiar assistir a essa mulher, do alto dos seus 59 anos, em forma, linda, na pele da hoteleira meio hippie e meio triste que, de repente, sai cantando e dançando como nunca se viu. Chorei de me acabar!
Ah! E o filme é dica pra família inteira. Meu marido e meu filho, que me acompanharam pelo cavalheirismo carinhoso que lhes é peculiar, saíram encantados e... cantando.
Ah! Como vocês podem ver, as postagens por aqui andam mais freqüentes. Por isso, apareçam sempre que quiserem, sem esperar convite. Tem sempre um cafezinho quente esperando. E os que quiserem conferir minhas conversas sobre tradução e afins, é só dar um pulinho no meu outro blog, o “Traduzir-se”.
Escrito por Ana Rodrigues às 14h15
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Considerações sobre vizinhos - I
Tenho uma teoria de que a quantidade de obras que as pessoas fazem em casa é inversamente proporcional à quantidade (ou qualidade?) de sexo que fazem essas mesmas pessoas.
Porque, na boa, antigamente sábado de manhã era hora, ou de continuar o que se começou a fazer na sexta à noite, ou de descansar da lida, ou de se preparar para a grande orgia também denominada “sábado à noite”, né não?
O que passa na cabeça de uma pessoa que passa vários sábados seguidos enchendo o saco dos outros martelando em uma obra que parece ter características muito semelhantes às da proverbial colcha que Penélope tecia e desmanchava?
Considerações sobre vizinhos – II
É interessante como o ser humano sem perceber adota expressões corporais tão eloqüentes como os animais...
Tenho como vizinhas (não de andar, graças a Deus!) um par de criaturas – a mãe, velhinha, acabadinha, frágil, mas que quando abre a boca você tem certeza de que a bruxa da Branca de Neve existe, e a filha, que poderia dar aulas de antipatia ao anão Zangado (só para não termos que procurar um conto de fadas novo, ok?) – que sempre que estão saindo do prédio param bem no meio do portão e ficam discutindo uma com a outra, impedindo entrada e saída de quem quer que seja e empesteando o ar ao redor com uma energia que carrega doses mortíferas de uma carência tão apodrecida que já virou veneno.
Igualzinho a minha gata que quando quer atenção se coloca no meu caminho para eu não passar. Mas eu prefiro tanto a minha gata...
Escrito por Ana Rodrigues às 13h04
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